terça-feira, 10 de março de 2009

A estratégia do AEIOU

A obra de Álvaro Santos Pereira, O medo do insucesso nacional, é outro dos livros que precisamos de ler. À semelhança da referencia anterior, trata-se de um livro que utiliza uma linguagem simples e acessível, o que contraria uma mania persistente, em Portugal, de os assuntos tratados por especialistas o serem de uma forma impenetrável.
Esta obra começa por analisar a evolução da situação económica em Portugal até aos momentos mais complicados que hoje vivemos. Ao longo desta análise inicial são-nos relembradas muitas histórias de sucesso que o nosso Pais tem protagonizado, mas também é critico relativamente à obsessão do défice orçamental dos últimos governos. As “causas da nossa desgraça” situam-se na nossa fraca capacidade de poupança, nas politicas erradas de incentivos, nas deficiências organizativas que se verificam ao nível de sectores importantes como a justiça ou na fraca qualidade da educação, mas também nas dificuldades em cumprir prazos, na dependência de um estado demasiadamente paternalista, etc.). O autor apresenta ainda um conjunto de “campeões nacionais”, empresas e protagonistas (entre os quais o grupo Visabeira), verdadeiramente empreendedores no contexto da sociedade portuguesa e que venceram noutros contextos internacionais.
Embora não acredite em “receitas mágicas”, deixa um conjunto de acções e de comportamentos que seria importante desenvolvermos e que nos ajudariam a sair da actual situação. Em síntese, o autor esclarece o que designou por “Estratégia do AEIOU” (Arriscar mais, Educar melhor, Inovar mais, Organizar mais e melhor e Utilizar melhor as nossas vantagens comparativas) e termina esperançado com um capítulo designado por “Portugal, o orgulho de existir”.
Para alem da importância dos temas tratados e da linguagem acessível, razões suficientes para a sua leitura, esta obra tem outro aliciante que é o facto de o autor ser um viseense.

2 comentários:

paulo disse...

“Portugal, o orgulho de existir”. Desculpem-me mas hoje acordei saudosista. Do post fiquei com esta frase gravada e tive que cá voltar para um comentário que me persegue.
Será este o mesmo povo que há quinhentos anos, aqui perto, dividiu o Mundo ao meio e ainda enganou os Espanhóis para ficar com a melhor parte?
Será este o mesmo povo que atravessou o mundo em barcos de madeira, com todos negociou, alguns consquistou e por todos foi respeitado?
Será este o mesmo povo que expulsou as tropas de Napoleão, passou a capital do Império para o outro lado do Oceano e ainda se riu disto tudo?
Serão estes os mesmo homens e mulheres que atravessaram a Europa a pé para procurar melhor vida, e sempre orgulhosos disseram bem alto que são PORTUGUESES.
Certamente é o mesmo povo!! Está triste, desmotivado, cansado e abandonado.
Ocorre-me sempre que a diferença está na Liderança ( Competência, Honestidade, Imaginação e Motivação).
Basicamente a receita OBAMA.
Tenho dias assim...
Paulo

Anónimo disse...

Caro Paulo.
Não se esqueça que o povo que "dividiu o Mundo ao meio", fez à revelia dos outros países foi um acordo entre dois países, todos os outros ficaram de parte, nessa altura não era só Portugal e Espanha, havia mais, muito mais. Quem "atravessou o mundo em barcos de madeira" fomos nós realmente, mas os portugueses sozinhos nada teriam feito sem a ajuda e conhecimento da Ordem dos Templários, que se refugiaram em Portugal no reinado de D. Dinis. O povo "que expulsou as tropas de Napoleão" fê-lo é verdade, mas com ajuda das tropas inglesas que desembarcaram no porto da Figueira de Foz, porque nessas altura o nosso Rei fugiu para o Brasil, (que valentia!). Portanto, não vamos andar para aqui a falar do passado porque ele não é assim de tanto heroísmo, fomos um povo que se destacou dos demais na altura, mas sempre com a ajuda de terceiros, portanto não devemos andar para aí a dizer que fomos os maiores nos Sec. XV e XVI e que hoje não somos nada, o problema é que hoje não temos o ouro do Brasil, não temos a Ordem dos Templários, mais tarde denominada Ordem de Cristo, não temos os Ingleses para lutar ao nosso lado, hoje temos que ser nós e nós, temos que acreditar que somos capazes, arriscar e principalmente agir. O passado é para os historiadores, não para nos apoiarmos nela como uma muleta.

António Carlos Pereira