segunda-feira, 14 de Julho de 2014

Curso breve de formação "Gestão das Finanças Pessoais e Literacia Financeira"

Após a realização da 1ª edição do curso breve de formação "Gestão das Finanças Pessoais e Literacia Financeira", irá realizar-se no dia 19 de julho a 2ª edição deste curso.

Tal como a 1ª edição, a 2ª edição deste curso terá uma duração de 8 horas, mas agora serão dadas apenas num dia - 19 de julho (sábado), das 09h00m às 13h00m e das 14h00m às 18h00m - nas instalações da Escola de Negócios das Beiras (Viseu). O preço é 25 euros.

Os eventuais interessados poderão inscrever-se até ao dia 18 de julho (até às 18 horas). O curso funcionará com um mínimo de 10 participantes e um máximo de 25 participantes, preenchendo a Ficha de Inscrição e enviando-a para o e-mail ilidio.l.silva@gmail.com.

Para mais informações, poderão contactar:
Telm.: 965 067 643.

sábado, 12 de Julho de 2014

Engenharia financeira

O conceito de engenharia financeira encontra-se associado ao processo de utilização combinada, desagregada e/ou inovadora de instrumentos financeiros existentes, de modo a criar novos produtos melhor adaptados às necessidades e expectativas dos utilizadores, dos financiadores ou de ambas as partes. Todavia, na ótica do senso comum, o conceito de engenharia financeira acaba por estar inevitavelmente ligado a “esquemas”, a “artimanhas”, que os responsáveis financeiros implementam de modo a dar um aspeto “mais bonito” às contas ou de forma a obter lucros mais avultados. À “boa maneira portuguesa”, o Estado português (e não estou a falar apenas do atual governo, mas também de governos anteriores) têm usado (e “abusado”) no recurso à engenharia financeira no sentido que normalmente o senso comum lhe dá. Vejamos alguns exemplos.
Como é sabido, o Pacto de Estabilidade e Crescimento baseia-se no pressuposto essencial que os países da Zona Euro devem manter a sustentabilidade das suas finanças públicas. Contudo, no caso português, em vez da verdadeira preocupação ser efetivamente manter a sustentabilidade das nossas finanças públicas, o objetivo fundamental tem sido apenas a preocupação com os números (“viver de aparências”). Apenas neste contexto se percebem diversas medidas que foram tomadas ao longo dos últimos anos que representam situações importantes que têm efeitos semelhantes ao aumento da dívida pública (na medida em que vão fazer aumentar as responsabilidades futuras do Estado português) mas que não são consideradas como dívida (em termos de números). De entre essas medidas poderei destacar: a transferência de fundos de pensões detidos por instituição privadas que estavam fora das administrações públicas para a administração pública (caso do fundo de pensões da Caixa Geral de Depósitos, em 2004; da Portugal Telecom, em 2010; da banca, em 2011); as parcerias público-privadas, através das quais o Estado português consegue obter empréstimos para financiar obras públicas (por exemplo, autoestradas), obrigando-se depois o Estado a fazer, durante um largo período de tempo após a conclusão da obra, pagamentos mensais aos consórcios privados com os quais as parcerias foram realizadas; a transformação de organismos das administrações públicas em empresas públicas, de modo a que as dívidas contraídas por essas empresas não sejam contabilizadas como dívida pública pelas instituições europeias que nos supervisionam e, deste modo, não façam agravar o défice do Estado (um bom exemplo desta situação são os hospitais EPE).
Além disso, os sucessivos governos do nosso país têm andado muito mais preocupados com o curto prazo e em ganhar eleições, do que propriamente com a sustentabilidade das nossas finanças públicas. Não admira, pois, que em vésperas de eleições, abundem medidas orçamentais expansionistas (com aumentos da despesa pública, redução de impostos) que têm um efeito positivo no emprego e no crescimento mas fazem agravar o défice do Estado e, inversamente, após ganhas as eleições, abundem medidas orçamentais restritivas (com reduções da despesa pública, subidas de impostos) que têm um efeito recessivo no PIB e fazem aumentar o desemprego mas melhoram as finanças públicas.

Ao longo dos anos temos adotado um modelo de gestão orçamental em Portugal baseado no défice permanente, na dívida pública “explosiva” (já vamos em 130% do PIB e não deveremos parar por aqui!), nas privatizações e nas receitas extraordinárias que fazem reduzir artificialmente o défice e a dívida pública no curto prazo. Não é de admirar que desde o 25 de abril de 1974 Portugal nunca tenha tido um excedente orçamental; tivemos sempre défice! E o défice necessita de ser financiado, normalmente através da emissão de dívida pública, cujos encargos fazem aumentar ainda mais o défice, criando-se aqui uma espiral “défice-dívida-défice” que parece não ter fim…

terça-feira, 27 de Maio de 2014

O défice de "capital intelectual"

Na sociedade da informação e do conhecimento em que vivemos, e sobretudo no mundo empresarial, o denominado “capital intelectual” assume uma importância fundamental. Grandes empresas como a “Apple”, a “Microsoft”, a “Sony”, entre outras, valem o que valem não pelos bens materiais e tangíveis (edifícios, terrenos, veículos, máquinas, etc.) que possuem, mas sobretudo pelos seus recursos humanos (altamente qualificados, responsáveis e motivados). Naturalmente que estas empresas implementam uma política de recursos humanos bastante cuidada, que se traduz não apenas na existência de critérios de recrutamento e seleção muito exigentes, mas também (e talvez sobretudo) numa ótica de preservação dos recursos humanos mais talentosos (evitando que possam sair para outras empresas, sobretudo para empresas concorrentes).
Na minha opinião, a importância que se deve dar aos recursos humanos deve estender-se também a uma perspetiva nacional, isto é, não é apenas uma empresa que se deve preocupar com a captação e retenção de bons recursos humanos, também um país que tenha ambições de desenvolvimento o deverá fazer (e note-se que desenvolvimento é bem diferente de crescimento!).
Nos tempos que correm, parece que os nossos governantes, tão preocupados que estiveram em fazer “boa figura” perante a troika, tão preocupados em tornar a garantir o financiamento do Estado português junto dos mercados financeiros, tão preocupados em diminuir o défice das contas públicas, estão a contribuir para um aumento substancial do défice de “capital intelectual” do nosso país, com consequências muito sérias não apenas no curto prazo, mas também a médio/largo prazo. Desde logo com a política de austeridade “cega” que está atualmente a ser aplicada, com a crise de confiança que os cidadãos em geral têm cada vez mais em relação às instituições nacionais, o nosso país não se afigura minimamente atrativo para “talentos” vindos de outros países. Além disso, apesar de Portugal ser desde há muito um país de emigrantes, as atuais características da emigração nada têm a ver com a emigração de anos anteriores (por exemplo dos anos 60 do século passado). Hoje em dia a emigração não é apenas feita com pessoas que vão para o estrangeiro trabalhar na construção civil, na restauração, em serviços de limpeza, na hotelaria, em explorações agrícolas. A emigração atual é também feita com enfermeiros, com engenheiros, com arquitetos, com professores, com investigadores, etc.. O nosso país está a formar profissionais (a maioria deles em universidades, institutos politécnicos e escolas públicas) para depois deixar que eles apliquem os seus conhecimentos e a sua formação no estrangeiro.
Em suma, será que ao estarmos tão preocupados em aproximarmo-nos em termos nominais (isto é, pelos “números e pelas estatísticas”) dos países desenvolvidos da União Europeia, não estaremos pelo contrário a afastarmo-nos deles em termos reais, perdendo um dos recursos mais valiosos que temos (os nossos recursos humanos)?!

quinta-feira, 17 de Abril de 2014

Bur(r)ocracia

Cada vez mais e a um ritmo alucinante, procedimentos que deveriam ser apenas um meio para atingir um fim estão a transformar-se num fim em si mesmo. Procedimentos burocráticos inúteis que (só) fazem perder muito tempo e desviar recursos para o acessório, deixando cada vez menos tempo para o essencial.

Há já algum tempo que ando para escrever sobre este tema. O clique final surgiu há dias, ao ler uma notícia em que o Bastonário da Ordem dos Médicos dizia que os clínicos são obrigados a “colocar o computador no centro das consultas”, prejudicando a assistência ao doente. Nas suas próprias palavras, “é uma farsa imposta por burocratas para justificarem a sua própria existência”. Segundo a notícia, médicos com listas de 1900 doentes são obrigados a preencher cada vez mais itens no computador e, por isso, não têm tempo para realmente observarem os doentes. O Bastonário questionava ainda os ganhos em saúde que resultam destes indicadores, mas afirmava não ter dúvidas de que a relação médico-doente sai prejudicada.

Ora isto é exatamente o que tenho vindo a constatar, sobretudo na Educação, mas não só.

A maioria das pessoas não tem certamente esta perceção, mas os professores trabalham cada vez mais horas e têm cada vez menos tempo disponível para aquilo que deveria ser a sua ocupação (e preocupação) principal: as aulas e os alunos. É quase insane o que se passa. Tanto quanto sei, isto começou a acentuar-se no Secundário há alguns anos e recentemente chegou ao Superior. Muitos docentes, sobretudo aqueles que ocupam cargos, são obrigados a relegar as aulas e os alunos para o final da lista das suas preocupações porque o seu dia a dia é preenchido com tarefas acessórias, meramente burocráticas, absolutamente desmotivantes e sem qualquer (ou, vá lá, com reduzíssima) utilidade prática, real. O que deveria ser apenas um meio acaba por se transformar num fim em si mesmo. Faz-se uma quantidade de coisas apenas porque sim. Para arquivar. Uma vez arquivado, toda a gente fica “feliz”. O facto de isso não servir para nada é apenas um detalhe. Tal como os custos e os resultados associados.

Afinal de contas, para que existe a Escola? Quem deve realmente servir? Como (a que fim) deve ser alocada a maior parte do tempo de trabalho semanal de um docente? A propósito: quase ninguém faz a mínima ideia de quanto tempo trabalha um docente. Quantas horas por dia e quantos dias por semana. Posso afiançar que é muito mais do que a esmagadora maioria das pessoas pensa. Mas o que é realmente grave é que apenas uma parte relativamente pequena desse tempo é dedicada àquilo que realmente deveria ser o seu foco de preocupação: o ensino propriamente dito.

Eu decidi recentemente largar todos os cargos que ocupava na minha Escola e ser “apenas” docente, quando dei por mim a dedicar a maior parte do meu dia (e uma grande parte da noite) a tarefas burocráticas inúteis e desmotivantes, obrigando-me a ter de fazer aquilo que considero ser essencial em horas e dias impróprios. Aquilo e aqueles que eu considero essenciais nesta profissão (o ensino e os alunos) estavam a sair prejudicados por toda uma carga de tarefas que, na verdade, parecem servir apenas para alguns burocratas justificarem a sua própria existência. Fi-lo por respeito aos meus alunos e a mim mesmo. Sim, eu preciso de ter tempo, não apenas para eles, mas também para mim, que diabo!... E a verdade é que estava a distrair-me da vida (Manuel Forjaz, lembram-se?…).

Do que vou sabendo, passa-se basicamente o mesmo noutros setores da Administração Pública e nas empresas: muitos (e cada vez mais) recursos estão a ser obrigatoriamente canalizados para dar resposta a coisas inúteis, mas obrigatórias, quando deveriam estar alocados a criar valor. A estúpida burocracia que se tem acentuado nos últimos anos, penso que de forma transversal a todos os setores da sociedade, está a infernizar a vida das pessoas, que se estão a deixar ir na onda, qual sapo em lume brando. Atrever-me-ia a perguntar-lhe: quantas horas por semana tem para si, para viver a sua vida, depois de descontadas aquelas que dedica ao trabalho e às suas necessidades mais básicas como comer e dormir?

Caramba, algo vai mal, muito mal, quando o foco da atenção do médico não é o doente e o do professor não é o aluno!...

sábado, 8 de Fevereiro de 2014

O crowdfunding


Na atual conjuntura económico-financeira, em que o recurso ao crédito bancário é cada vez mais restritivo e a obtenção de fundos para o financiamento de projetos é cada vez mais difícil, a opção pelo crowdfunding poderá constituir uma boa alternativa.

Afinal o que é o crowdfunding?

O crowdfunding constitui uma forma simples e relativamente recente de angariação de fundos pela internet visando o desenvolvimento e implementação de projetos através de uma comunidade que partilha os mesmos interesses. Um indivíduo (ou grupo de indivíduos) que tenha uma ideia inovadora e criativa poderá, recorrendo a uma plataforma de crowdfunding, divulgar a sua ideia e, ao mesmo tempo, obter dinheiro para a implementação do seu projeto. Por sua vez, os apoiantes/financiadores do projeto, além de poderem ver concretizado um projeto do seu interesse, receberão recompensas. A ideia é aproveitar o efeito “multidão”, já que se cada membro contribuir com um pequeno apoio, todos juntos poderão conseguir arrecadar quantias interessantes.

Como funciona o crowdfunding?

Após registar-se numa plataforma de crowdfunding, o promotor do projeto deverá submeter uma candidatura (que inclui habitualmente um vídeo de apresentação e eventuais imagens e documentos adicionais), devendo estabelecer um montante mínimo e um prazo para a angariação de fundos. Normalmente é utilizado o sistema de “tudo ou nada”, ou seja, se o montante mínimo for atingido dentro do prazo para a angariação de fundos, o promotor do projeto recebe os fundos angariados para a implementação do mesmo e os responsáveis da plataforma cobram a sua comissão; se o montante mínimo não for atingido dentro do prazo, o promotor do projeto não receberá nada e os fundos entretanto angariados serão devolvidos aos respetivos apoiantes. Já estamos a ver que o sucesso do crowdfunding depende não apenas da novidade e da criatividade da ideia subjacente ao projeto, mas também do esforço de divulgação que é feito pelos respetivos promotores, oferecendo aos apoiantes recompensas suficientemente atrativas que façam com que eles próprios possam servir como veículos de promoção do projeto.

O que poderá ser financiado através do crowdfunding?

Em teoria, praticamente qualquer bem ou serviço poderá ser alvo de uma campanha de crowdfunding, se bem que sejam frequentes projetos de cariz social, projetos relacionados com a agricultura e com a proteção da natureza, pequenos negócios, projetos na área do turismo, da tecnologia, da educação, do espetáculo e do entretenimento, etc.. Contudo, em Portugal ainda não existe legislação que permita o crowdfunding de compra de capital ou de empréstimo, ao contrário do que acontece noutros países, como por exemplo os Estados Unidos da América e o Reino Unido, em que o crowdfunding de produtos financeiros (principalmente em startups) começa já a ser uma prática bastante frequente.

Para saber mais acerca do crowdfunding
Porventura, as melhores fontes de informação acerca deste tema poderão ser encontradas nas próprias plataformas de crowdfunding. As principais plataformas portuguesas são: o BES Crowdfunding (https://bescrowdfunding.ppl.pt), a MassiveMov (http://www.massivemov.com), a Nós Queremos (http://nosqueremos.pt), a Olmo (http://www.olmo.pt), a PPL (http://ppl.com.pt) e a Zarpante (http://www.zarpante.com).

sexta-feira, 29 de Novembro de 2013

Enfrentar os desafios



Enfrentar os desafios
O ensino superior tem vindo a ser confrontado com desafios constantes de forma a adequar-se às novas necessidades do ‘mercado’ a par de restrições de ordem orçamental. Por um lado, é imperativo ter uma política de proximidade com empresas e outras instituições a fim de responder às suas necessidades e, por outro, dotar os seus próprios quadros com a formação imprescindível à certificação dos cursos – número de doutorados e especialistas nas respetivas áreas de especialização dos cursos ministrados. Este tem sido o desafio colocado às diferentes escolas integradas do Instituto Politécnico de Viseu.
A título de exemplo, e para que seja compreensível o esforço que cada um têm feito, no Departamento de Gestão da Escola de Tecnologia e Gestão de Viseu funcionam: 5 licenciaturas – Gestão de Empresas (1.º curso a funcionar na ESTGV), Contabilidade e Administração (regime noturno), Marketing, Turismo e Gestão de Empresas (pós laboral); e 3 mestrados – Finanças Empresariais (estão abertas as candidaturas relativas à 6.ª edição), Marketing Research e Gestão Turística. Para além desta formação que confere grau académico, têm-se realizado outras formações com são o exemplo do curso de preparação para o exame de avaliação profissional de acesso à Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas (a decorrer a 12ª edição) e o curso de preparação ao concurso interno para a Categoria de Inspetor Tributário.
Os antigos alunos da Licenciatura em Contabilidade e Administração ainda se lembram dos longos cinco anos e meio que, na melhor das hipóteses, levaram para o concluir. Longos anos e por muitas noites (já que se trata de um curso noturno!), sem fins de semana (dedicados ao estudo, trabalhos de grupo e provas de avaliação), sacrificando-se e á famílias.
Depois chegou a adequação a Bolonha … e o curso passou para três anos. A carga horária, imensa, fez as ‘noites’ mais ‘pesadas’ … desafio que tantos venceram!
A partir do ano letivo 2010/2011, mais uma adequação. Desta feita para responder às exigências da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas (OTOC) – o novo currículo do curso já se encontra reconhecido com “base académica”, indispensável para a inscrição na OTOC. E, já agora, fica o alerta: quem tem uma licenciatura reconhecida pela OTOC, cuja entrada no ensino superior se verificou antes de 2010/2011 e ainda não se candidatou OTOC, terá de o fazer até 31 de dezembro de 2015 – findo este prazo (período transitório) terá de adequar a sua formação de base às novas exigências da Ordem (fazendo mais unidades curriculares de contabilidade, fiscalidade, direito empresarial, …).
Integrada nos cursos de licenciatura em Contabilidade e Administração, Gestão de Empresas e Gestão de Empresas pós laboral, a unidade curricular de Simulação Empresarial continua a ser reconhecida como equivalente ao estágio profissional da OTOC. Lembro que aquele estágio tem de ser protocolado com a OTOC e ter uma duração mínima de 8 meses e 800 horas. Esta unidade curricular está disponível a licenciados de outras escolas, profissionais e antigos alunos, como curso de formação contínua. Qualquer unidade curricular (UC) pode ser realizada como “Unidade Curricular isolada” (incluindo UC de mestrado), adquirindo, desta forma, os créditos de formação (75 créditos bianuais) exigidos pela OTOC.
No passado ano letivo, o Curso de Contabilidade e Administração foi submetido a avaliação externa, tem sido auditado no passado mês de março pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES) foi ‘acreditado’ por cinco anos (acreditação máxima). Aguarda-se a decisão final das licenciaturas de Marketing e de Turismo. A próxima avaliação externa irá realizar-se no início do próximo ano ao curso de Gestão de Empresas.
Ora, passo a passo, desafio a desafio, fomos vencendo cada obstáculo que teimava ‘ficar no caminho’. Tem sido um bom trabalho de equipa. Na minha qualidade de diretora de curso de Contabilidade e Administração quero deixar o meu apreço e um “bem-haja” a cada um dos que participaram ativamente naquele processo de acreditação: antigos alunos, alunos atuais, professores, pessoal não docente, órgãos académicos de alunos e docentes, ‘sociedade civil’, representantes das organizações que colaboram com a Escola, sem esquecer, de forma alguma, o papel ativo da direção do departamento de Gestão, da presidência da ESTGV e do IPV.
Realizou-se no passado fim de semana, no dia 23 de novembro, o XI Encontro da Associação dos Antigos Alunos do Departamento de Gestão. Para além do saudável convívio, foi realizada uma homenagem ao seu presidente, recentemente falecido, realizada uma missa pelos alunos, professores e funcionários da ESTGV falecidos, seguida do tradicional jantar, animado com o grupo Shutter Down.
Todos juntos, chegaremos mais longe! 
Isabel Martins

quinta-feira, 26 de Setembro de 2013

Será a “escola inclusiva” realmente inclusiva?!



Uma vez que estamos no início de mais um ano escolar, decidi escrever sobre um tema que, apesar de não estar diretamente relacionado com a questão da literacia financeira, me é familiar por motivos pessoais: a “escola inclusiva”. Deste modo, o objetivo deste artigo não é tanto deixar ensinamentos seja a quem for, mas apenas expressar a minha modesta opinião sobre o assunto.
No nosso país, o documento legal que regulamenta a educação especial é o Decreto-lei nº 3/2008, de 7 de janeiro. No preâmbulo deste decreto-lei podemos ler que se deve “(…) planear um sistema de educação flexível, pautado por uma política global integrada, que permita responder à diversidade de características e necessidades de todos os alunos que implicam a inclusão das crianças e jovens com necessidades educativas especiais no quadro de uma política de qualidade orientada para o sucesso educativo de todos os alunos”. De facto, estas palavras são muito bonitas… Pena é não saírem do papel, já que a realidade do nosso país não tem nada a ver com o contexto anteriormente referido!
Apesar da “bondade” do decreto-lei que regulamenta a educação especial (defendendo aspetos muito importantes como a elaboração de um programa educativo individual, a elaboração de um plano individual de transição, a promoção de medidas educativas como o apoio pedagógico personalizado, um currículo específico individual, tecnologias de apoio, etc., com o intuito de promover a dita “escola inclusiva”), o que é facto é que o verdadeiro sucesso escolar das crianças com necessidades educativas especiais (digo verdadeiro porque, normalmente, independentemente dos conhecimentos obtidos no final de cada ano letivo pelas crianças com este tipo de necessidades educativas, elas transitam à mesma de ano), a promoção da sua socialização e a sua integração na vida ativa continuam a ser extremamente difíceis.
Apesar da existência de medidas de apoio específicas para algumas crianças com necessidades educativas especiais (é o caso, por exemplo, das salas de ensino estruturado para as crianças com perturbação do espectro do autismo), na prática a implementação da política da “escola inclusiva” passa pela integração da criança com necessidades educativas especiais em salas de aula com crianças “normais”, beneficiando periodicamente de aulas de apoio e, nos casos mais graves, sendo destacada uma auxiliar de ação educativa (normalmente denominada de “tarefeira”) para acompanhar a criança com deficiência. Quanto a mim, esta prática é prejudicial para todos: desde logo para a criança com necessidades educativas especiais que, na maioria dos casos, não aprende ao mesmo ritmo dos colegas, podendo até ser alvo de alguma discriminação negativa; para os professores, que por vezes não têm a formação necessária para lidar com casos desta natureza (dada a potencial diversidade de casos); e para as restantes crianças, que correm o risco de ver a sua aprendizagem decorrer num ritmo mais lento que o normal.

Se este cenário já não é o mais favorável por si só, então piora ainda mais quando nos encontramos em conjunturas de crise económico-financeira como a atual. Infelizmente, uma das áreas que também não escapou à política de austeridade foi a educação especial. Não só diminuiu o número de professores afetos às necessidades educativas especiais, como também a colocação de técnicos especializados nas escolas (como é o caso, por exemplo, de terapeutas da fala) continua a fazer-se de forma tardia. De facto é inadmissível que, após já ter iniciado o ano escolar, apesar da lei (nomeadamente o decreto-lei que referi anteriormente) obrigar a que as salas de ensino estruturado para crianças com perturbação do espectro do autismo funcionem com uma terapeuta da fala, algumas escolas (isto é, alguns agrupamentos de escolas) só agora tenham iniciado o processo de colocação. Se não se registarem atrasos no processo do concurso, talvez no final do mês de outubro estes técnicos já estejam a trabalhar nas escolas… Será que a poupança de dinheiro proporcionada pelo não pagamento do salário destes técnicos por um ou dois meses (meses de setembro e outubro) justifica o atraso na aprendizagem e no desenvolvimento das crianças com necessidades educativas especiais?! Bem, se calhar as crianças nem se queixam, caso contrário não teriam necessidade de uma terapeuta da fala!!!