domingo, 8 de março de 2009

Economia para todos

Foi recentemente publicado pela Oficina do Livro a obra “Economia para Todos”(*), de David A. Moss, professor da Harvard Business School. Trata-se de uma edição dedicada, em termos simples, aos fundamentos da macroeconomia. E, nessa medida, é um grande exemplo de como é possível falar de coisas aparentemente difíceis de uma forma acessível a todos. Este livro, como é referido pelo autor, resulta dos apontamentos das suas aulas de macroeconomia naquela que é uma das mais importantes universidades norte-americanas, em particular no domínio do ensino da gestão.
Em apenas 200 páginas, o leitor fica a entender, sem necessitar de recursos ou de conhecimentos prévios especiais, o funcionamento da economia, o significado e as relações entre variáveis macroeconómicas como a inflação e as taxas de juro, o papel das poupanças e do investimento, ou os efeitos da dívida externa, o cálculo do PIB ou os débitos e os créditos da balança de pagamentos, etc. Nos tempos que correm, vale a pena ler sobre as “causas das reviravoltas económicas (recessões e depressões)” mas também sobre as fontes do crescimento económico, vale a pena entender a relação entre o que se produz e as pensões que se pagam e como é importante que a produtividade cresça para que (entre outras coisas) o valor das pensões não tenha de diminuir.
(*) Obra donde foi retirada a citação de Keynes que está na base do título deste blogue.

2 comentários:

Suzanne Amaro disse...

A propósito de livros acessíveis a todas as pessoas, gostaria de recomendar também "Os Mitos da Economia Portuguesa" de Álvaro Santos Pereira. Apesar da 1.ª edição ser de Novembro de 2007, os males diagnosticados da economia portuguesa ainda hoje perduram.
Já agora um excerto de outro livro de Álvaro Santos Pereira, "O Medo do Insucesso Nacional", recomendado no vosso blogue:
“Acima de tudo, e apesar do clima económico se ter agravado significativamente, esta não é altura para baixar os braços e aceitar a recessão passivamente, tal como os fundamentalistas do défice nos querem fazer crer. Pelo contrário. Esta é a altura de actuar com convicção, não só levando a cabo as reformas de curto prazo de que necessitamos (de âmbito organizativo e fiscal), mas também apostando mais peremptoriamente na qualidade da Justiça e da Educação, de modo a que a economia nacional se torne mais saudável a longo prazo. Afinal, as crises podem ser ameaças à prosperidade, mas são também oportunidades únicas para efectuar reformas.”
Parabéns pela iniciativa Clareza no Pensamento! Não baixaram os braços, nem aceitaram a recessão passivamente…

paulo disse...

Parabéns pelo blog, na realidade é de "Clareza no Pensamento" que estamos a necessitar. Permitam-me ainda acrescentar que além das soluções Keynesianas em pacotes ou avulso, soluções imaginativas, de intervenção localizada e essencialmente viradas para as pessoas, permitiriam a retoma.
De facto a "Paixão" que todos temos pela Macroeconomia não nos deve levar à perda da objectividade, pois o que conta são as pessoas, como vivem, como reagem ao pessimismo, como podem reagir a perda do emprego ou do sonho de uma vida, provocado por um qualquer negócio que correu mal em Wall Street, sítio onde nunca sequer beberam um café...
Para finalizar, uma ideia e uma sujestão.
IDEIA :
Necessitamos urgentemente de uma classe dirigente "Diferente", competente e socialmente empenhada. Tambem eu como o Dr Mário Soares tenho dificuldade em ver os Neo-Liberais de ontem a aplicarem políticas Keynesianas hoje!!!.
Não consigo encontrar melhor berço para esta nova classe Dirigente do que as Universidades. Por isso contem comigo para o que for necessário para dinamizar o debate, o pensamento estratégico e as novas soluções. Recuso-me a deitar a toalha ao tapete sobre esta geração ...
SUJESTÃO:
A leitura de " Criar um Mundo sem Pobreza" de MUHAMAD YUNUS.
Um caminho complementar é certamente o capitalismo Social.