sexta-feira, 28 de maio de 2010
Clareza no Pensamento (Vídeo) 41. "Empreendedorismo - mitos (I)"
terça-feira, 25 de maio de 2010
O défice do Estado e o défice das famílias portuguesas
Queria aproveitar este apontamento para falar um pouco sobre o défice. Porventura, neste momento já estarão a pensar: “mais um a falar na história do défice”! Pois bem, não pretendo falar tanto do défice do Estado português, nem da bondade ou da eventual ineficácia das medidas recentemente tomadas, mas mais do défice das famílias portuguesas. De facto, as semelhanças são muitas…
Todos sabemos que a questão do défice das nossas contas públicas, é algo que nos deve preocupar a todos. Contudo, parece-me que existe um défice que as pessoas em geral ainda não atribuíram a devida atenção: o défice das famílias. A situação deste défice não é muito diferente da situação do défice do Estado. De facto, tem-se registado ao longo dos anos um défice estrutural no orçamento das famílias e, porventura, a situação não tende a melhorar no curto prazo.
As medidas para combater o défice das famílias são em tudo idênticas às medidas para combater o défice das nossas contas públicas: ou aumentamos as nossas receitas, ou diminuímos as nossas despesas, ou, preferencialmente, fazemos simultaneamente uma coisa e outra.
Em relação ao aumento das receitas das famílias, talvez o mecanismo seja um pouco mais complicado do que o aumento das receitas do Estado. De facto, ao contrário do Estado, não podemos pura e simplesmente cobrar mais impostos de modo a consegui-lo. Além disso, poderíamos eventualmente trabalhar horas extraordinárias, pedir um aumento de salário ao nosso patrão… Todavia, na conjuntura actual, fazer isso será muito difícil.
Deste modo, talvez possamos corrigir o nosso défice agindo sobretudo ao nível das despesas. Quando falo em cortar nas despesas do nosso agregado familiar, não falo apenas nas despesas correntes, por exemplo: se temos o hábito de fumar, porventura esta seja uma boa altura para reduzirmos ou, até mesmo, deixarmos de fumar (faz bem à saúde e à “carteira”), evitarmos gastar tanto dinheiro em bens supérfluos (ou, pelo menos, que não sejam de primeira necessidade, como sejam carteiras, acessórios de moda, decoração para a casa, etc.). Quando falo em cortar nas despesas estou a referir-me a algo de mais duradouro, de certa forma, estrutural. Por exemplo: será que a casa que nós adquirimos através de crédito à habitação foi a mais indicada para nós?! Por vezes, mesmo as famílias mais pequenas, optam por comprar habitações de grandes dimensões, situação que se faz repercutir depois durante todos os meses da nossa vida quando pagamos a prestação do crédito (ou pelo menos enquanto durar o crédito à habitação). Será que precisamos efectivamente de comprar o novo modelo de automóvel que acabou recentemente de ser lançado, quando comprámos carro há dois ou três anos atrás?! Com certeza que o carro novo não será mais barato e, novamente, lá está a prestação do crédito automóvel a aumentar. No fundo, o que eu quero dizer é que se é importante reduzir as nossas despesas correntes, do dia-a-dia, tão ou mais importante é reduzir as despesas que sabemos que nos vão afectar a médio/longo prazo.
Ora se tivermos a ambição de viver acima das nossas possibilidades, se não tivermos a mentalidade adequada, corremos o risco de comprometer de forma estrutural o défice do nosso orçamento familiar. É importante pensar bem antes de tomarmos certas decisões de consumo, recolher informação, fazer contas, comparar propostas de entre a concorrência,... É importante poupar, e quanto mais tarde o começarmos a fazer, maior terá de ser o esforço quando estivermos perto da reforma. Para fazer tudo isto de forma adequada existe algo que é fundamental: a literacia financeira. Se nós não soubermos o que significam os conceitos e termos que constam da maior parte dos créditos que contraímos e das aplicações que fazemos, se não soubermos minimamente fazer contas, muito dificilmente conseguiremos apurar convenientemente o nosso défice e corrigi-lo.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Parque Botânico Arbutus do Demo – um excelente exemplo de Turismo de Natureza
Hoje, convidamo-lo a conhecer um pouco do Parque Botânico Arbutus do Demo (PBAD), situado em pleno coração das “Terras do Demo”, designadas desta forma por Aquilino Ribeiro, um projecto pioneiro de elevada importância na gestão e conservação de uma grande diversidade de espécies.
Este Parque situa-se na freguesia da Queiriga a cerca de 5 kms de Vila Nova de Paiva, ao km 73,5 da EN323. Instalado nos terrenos do antigo viveiro Florestal da Queiriga, abandonado na década de 90, tem uma área total de 80.000m2, dos quais 50.500m2 correspondem à área do viveiro e 12.500m2 correspondem a matas de coníferas e folhosas, constituindo um património de inestimável valor paisagístico e ambiental, onde se encontra reunido mais de um milhar de diferentes espécies botânicas.
O PBAD compreende um quadrado central, horta, pomar, espaço de conservação, arboreto, viveiro e alguns edifícios possuidores de uma arquitectura característica que foram totalmente remodelados, respeitando a traça original.
A reabilitação de toda esta área é resultado de uma parceria no âmbito do Programa Comunitário Interreg III B Sudoe, tendo daí resultado a Rede de Jardins do Sudoeste Europeu. Esta rede é formada pelo PBAD, pelo Jardim do Sudoeste Europeu da Guarda, Jardim Europeu de Módubar de la Empareda (Espanha) e Jardim Europeu Arboretum de la Chaise Dieu (França). A prioridade deste programa é a gestão do património cultural e natural e a promoção do ambiente dos espaços integrados.
O PBAD é um excelente exemplo de união entre empresas e instituições e conta com diversos “actores”: Câmara Municipal de Vila Nova de Paiva, Instituto Politécnico de Viseu (Escola Superior Agrária e Associação para o Desenvolvimento e Investigação de Viseu) e Empresas (Moinho da Carvalha Gorda, Ervital e Vasco Pinto).
Actualmente, encontra-se aberto das 09H00 às 17H00 de 2ª a 6ª feira, sendo habitual disponibilizar um horário específico para os meses de Verão, que pode ser consultado na página http://arbutusdodemo.eu/. Aceite a sugestão e não deixe de visitar um dos mais bonitos jardins do sudoeste europeu.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Clareza no Pensamento (Vídeo) 40. "O Sistema de Indemnização aos Investidores"
terça-feira, 18 de maio de 2010
A Ditadura do Curto Prazo (II)
Este condicionamento temporal na definição de objectivos desvirtua aquilo que deveria ser o objectivo maior que é o do crescimento sustentável de uma empresa. Poder-se-ia pensar que os objectivos do C.E.O. ou dos diferentes colaboradores com influência na tomada de decisões, confluiriam com os objectivos de sustentabilidade das empresas. Puro engano! O que a crise internacional veio revelar, foi precisamente o conflito de interesses que existe entre a propriedade e a gestão dessa propriedade quando não exercida pelos seus proprietários. E, para além disso, veio revelar o lado mais escabroso desses conflitos – é que o desejo dos C.E.O. de obterem a recompensa pelo sucesso nos objectivos atingidos, fez com que se usassem os mais diversos artifícios para os atingir. Os artifícios utilizados foram e são diversos: dispersão de capitais em fundos “carrossel”; investimentos em bens cujo valor era essencialmente especulativo; investimentos avultados em imóveis (provocando uma espiral especulativa nos valores desses bens); criatividade na apresentação dos relatórios financeiros das empresas; nos paraísos fiscais , mistura de capitais de origem limpa (por vezes aplicações do dinheiro para as reformas dos contribuintes) com capitais de origem nos mercados de tráficos diversos.
Sinceramente não acredito que, enquanto os interesses de curto prazo forem sobrevalorizados e avaliados, este estado de coisas se altere. Os governos tenderão a sobreinvestir em ano de eleições, os governantes não farão reformas estruturais, os C.E.O. privilegiarão investimentos de menor período de retorno, os professores procurarão passar os alunos para cumprir as taxas de sucesso do ano escolar, pela qual serão eles próprios avaliados, as amizades far-se-ão enquanto existir o interesse momentâneo de daí resultar um benefício comum. Tenderão a ser relegados para segundo plano, os princípios, a ética, a moral, as ideologias, a poupança, a família. Assim sendo, as “bolhas” especulativas ou imobiliárias, continuarão a rebentar, os paraísos fiscais continuarão a existir, os sucessivos governos não procurarão fazer os devidos investimentos e reformas públicas, as diferentes avaliações servirão apenas para satisfazer estatísticas.
Como referia Alexandre Soares dos Santos, a propósito dos investimentos na Polónia – “…estivemos oito anos para obter o retorno do investimento realizado na Polónia e estamos agora a receber o justo prémio desse esforço!”. Tenho pena que existam tão poucos empresários assim. Empresários que pensem em atingir objectivos de longo prazo.
O curto prazo pode criar a ilusão de tivemos êxito. O êxito, no entanto, deve medir-se pelo esforço em o alcançar!
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Triple Helix em Viseu
Triple Helix é um modelo de desenvolvimento, chamemos-lhe assim, lançado por Etzkowitz (Universidade de Newcastle) e Leydesdorff (Universidade de Amesterdão), que se baseia na perspectiva da universidade assumir o papel de líder na relação com a economia e o poder politico para gerar conhecimento, inovação e desenvolvimento económico.
Presidentes tomam decisões
Tinha um artigo sobre o Triple Helix em cima da secretária quando li a notícia (nem de propósito!). O título era, aliás, sugestivo: “Presidentes reúnem-se e aprovam plano para a Região de Viseu” e, em subtítulo, concretizava: “Inovação, empreendedorismo e internacionalização serão os eixos de acção da futura Agencia de Promoção Económica da Região de Viseu”. Mas quem seriam os Presidentes? Lá estavam: “Presidente do Instituto Politécnico de Viseu, Presidente da Câmara Municipal de Viseu, Presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Dão-Lafões, Presidente da Associação Empresarial da Região de Viseu e Presidente da Associação de Comerciantes de Viseu, estes dois em nome da Federação das Associações Empresariais da Região de Viseu (em formação)”.
Continuando a citar a notícia, aí se dizia que o ponto único da ordem de trabalhos foi: “Respostas da Região de Viseu para o futuro”. Talvez ... algo contraditório, mas interessante!
“Feita a caracterização da crise em que o País se encontra mergulhado – continua o jornalista - e considerando que não dispõem de poderes que lhes permitam intervir de forma decisiva para o fim dessa mesma crise, entenderam, porém, que é tempo de a Região aproveitar este momento de grande insatisfação e de alguma indefinição, para darem passos no sentido de concertarem estratégias tendo em conta o futuro da Região”.
E2i – é o plano de acção
Assim, decidiram avançar com um programa de acção até 2015. Trata-se de um plano simples e objectivo que pretende intervir em 3 domínios:
a) Empreendedorismo – desenvolvimento de um plano para o empreendedorismo que culmine com o apoio à incubação e que tenha por base três vectores: a) formação para o empreendedorismo abrangendo todos os níveis de ensino; b) criação de concursos ou outras formas de incentivar o aparecimento de projectos de negócio ou de natureza social; c) prioridade a projectos de base tecnológica, a projectos vocacionados para a internacionalização e a pequenas iniciativas artesanais na perspectiva da valorização dos saberes e dos produtos locais (a suscitar o apoio das juntas de freguesia)
b) Inovação – Aposta em 6 áreas de i&d: energias; biotecnologias; madeiras; TI/saúde; soc da informação, turismo. Alguns vectores para esta acção: a) Identificação e criação de redes das instituições locais com congéneres de outras regiões ou países; b) Criação de redes de contactos entre o ensino superior da Região e as empresas. Identificados parceiros e áreas de intervenção passa-se à fase seguinte de preparação dos projectos para a acção.
c) Internacionalização – Apoio (formação, estudos de mercado, informação) às empresas que pretendam exportar; colocar a Região na rota dos congressos internacionais, começando com dois congressos por ano; fazer o upgrade das geminações para a área dos negócios entre agentes económicos de municípios geminados, etc.
Por último, a Agencia irá criar um Portal (português, espanhol e inglês) com 3 faces: Viseuinova, Viseuinternacional e Viseuempreende.
Claro que para além do Triple Helix também os Deolinda me vieram à memoria:
Agora sim, damos a volta a isto!
Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vai parar!
Só não sei em que jornal veio a notícia! Terá sido no do dia seguinte?
Alfredo Simões