sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Viseu, 2020

Tal como nos anos 80/90 do século passado, quando Viseu foi um exemplo de crescimento económico por via da capacidade para satisfazer as necessidades locais e de exportação, e da capacidade para atrair investimento externo, hoje a Região continua a crescer, mas porque mudou de rumo. À época, foi fundamental o investimento da administração central em infra-estruturas e equipamentos, o dinamismo autárquico e a iniciativa privada empresarial que aproveitou os recursos locais e os estímulos vindos dos mercados domestico e europeu.
Hoje, em 2020, o florescimento da economia resulta da transformação por que passou o tecido produtivo industrial: o número das empresas mais intensivas em mão de obra é bem menor, enquanto as de base tecnológica tem vindo a aumentar a um ritmo elevado. A Região tornou-se atractiva para estas empresas e ela própria tem conseguido gerar iniciativas empresariais de alto valor acrescentado e vocacionadas para o mercado global. Por outro lado, enquanto o pequeno comércio se modernizou, o turismo está a responder a públicos diversificados baseando-se nas vertentes da gastronomia e enoturismo, saúde e bem-estar e património e cultura; a oferta hoteleira alargou-se e a acessibilidade por via electrónica encontra-se fortemente organizada. A administração pública, nomeadamente local, tornou-se um caso de estudo nacional a propósito da aplicação das novas tecnologias ao serviço dos cidadãos.
Uma importante característica do crescimento económico nesta nova década do séc. XXI é, sem dúvida, a capacidade de a Região gerar iniciativas, de natureza económica, cultural, social, etc. e da sua criatividade. O número de empresas por 1000 habitantes quase duplicou nos últimos 10 anos, a oferta cultural é intensa e diversificada e distribui-se pelos municípios. Voltando costas ao passado, a Região começa actualmente a contar enquanto território embrenhado em I&D, cresceu o número de patentes e de investigadores dedicados que se encontram inseridos em redes europeias de centros de investigação, universidades, centros de transferência de tecnologia. Em pouco mais de uma década, Viseu e a Região tornaram-se uma referência nacional do empreendedorismo, da criatividade e da capacidade de incubar empresas, iniciativas de natureza cultural, de solidariedade social e de defesa ambiental.
Tudo isto, em 2020, é o resultado de uma ambição nova surgida há poucos anos e de que agora se começam a ver os primeiros resultados. Há 10 anos atrás, a ambição passou pela definição de uma estratégia lançada pelo poder político local organizado regionalmente e focalizada na Inovação em três domínios: empresarial, cultural e territorial. A determinação foi essencial para mobilizar todos os interessados: autarquias locais, agentes económicos e culturais e ensino superior. Em conjunto, definiram, assumiram e implementaram uma estratégia, que ainda está em curso, e que ficou designada por Acção 2020.
Em resultado dessa estratégia, Viseu é hoje conhecida pelas competências desenvolvidas nos sectores escolhidos desde a primeira hora: floresta, energias, turismo, cultura e tecnologias da informação, a que se juntaram mais tarde a saúde e a agro-indústria.
Viseu 2020 só acontecerá se os agentes locais o quiserem hoje.

1 comentário:

paulo disse...

Caro Dr. Simões,

Brilhante a Visão de Viseu 2020!!!.

Penso que um projecto tipo Acção 2020 tem de partir da sociedade civil. Temos todos de desenhar o futuro, não é mais possivel continuar á espera dos agentes de origem politica. Esta tem de ser uma responsabilidade colectiva. Não poderá o IPV ser motor duma iniciativa deste genero.
Continuo a considerar que este povo é capaz de se superar só precisa da lideraça certa.

Cumprimentos

Paulo Gaspar