sexta-feira, 8 de maio de 2009

Cartões de crédito: serão assim tão maus?

Não necessariamente. O cartão de crédito é um instrumento com vantagens e inconvenientes. Ele não é “mau” por si mesmo; a utilização que se lhe dá é que pode ser “má”.

Quais são as principais vantagens associadas à utilização do cartão de crédito?

Antes de mais convém referir que há inúmeros cartões de crédito: bancários, de lojas, supermercados, gasolineiras, até clubes de futebol. É, pois, compreensível que eles tenham características muito diversificadas. Mesmo fixando-nos nos cartões de crédito bancários, a sua diversidade é enorme. No entanto, de um modo geral, podem referir-se duas vantagens mais significativas: a existência de um crédito sem juros durante algum tempo (normalmente, entre 20 e 50 dias) e a atribuição de descontos, geralmente sob a forma de vales rebatíveis em lojas ou cadeias específicas, variáveis de cartão para cartão.

E os principais inconvenientes?

São sobretudo a cobrança de uma anuidade, variável, mas que pode chegar às dezenas de euros e a cobrança de juros (normalmente muito elevados!) se o montante utilizado não for pago na sua totalidade na data-limite fixada para esse efeito.

Alguns conselhos

Desde logo, ter apenas um cartão de crédito, o qual deve ser correctamente escolhido, tendo em conta, nomeadamente, a anuidade e os descontos associados. Depois (muito importante!), efectuar o pagamento da totalidade do montante utilizado na referida data-limite, por forma a não pagar juros (que, como se disse, são muito elevados). É ainda recomendável registar os movimentos do cartão como se o pagamento tivesse sido efectuado a dinheiro (ou manter um registo específico desses movimentos). Isto ajuda a interiorizar que pagar com o cartão é, no fundo, o mesmo que pagar com dinheiro. Por fim, utilizar o cartão de forma racional, nomeadamente não alterando hábitos de consumo. Acima de tudo, não esquecer que a utilização do cartão de crédito como forma de financiamento (para além do prazo de crédito sem juros) é normalmente muito cara.

Conclusão?...

Como em muitos outros casos, não é tanto o produto, em si, que é mau. O uso que se faz dele é que o pode ser.

E já agora...

Importa recriminar algumas práticas nada éticas de alguns bancos. Tivemos conhecimento há dias de uma instituição financeira que está a contactar telefonicamente os seus clientes para que, por defeito, optem por pagar apenas 5% do montante utilizado em cada mês. O que isto significa, na prática, é que o cliente fica a pagar juros (elevadíssimos!) sobre os 95% restantes. Atendendo à dramática iliteracia financeira do português médio, práticas como esta são, para dizer o mínimo, imorais.

2 comentários:

paulo disse...

Caro Dr. Matias,
Permita-me que o felicite por este tema. Devemos olhar para com muita atenção para a situação das familias nos Estados Unidos onde a media da divida contraida em cartões de Credito já ascende a $80.000!!!
Certamente será o cartão de credito uma escapatória as restrições no credito ao consumo e uma forma dos Bancos tentarem aumentar as suas margens.
Terreno perigo este ...

Um leitor sempre atento
Paulo

Manacá disse...

Sempre bons posts, estes do Dr. Rogério Matias, com conselhos úteis e, na área financeira, quem melhor que ele para o fazer.
O meu comentário fica só pelo seguinte: Como é possível que alguém tenha que suportar prestações mensais superiores ao rendimento líquido de que dispõe? Como é que se chega a uma situação dessas? Será por desespero? Vaidade? Falta de informação? Inexistência de legislação que o proíba a concessão de créditos a quem não os pode pagar? Algo se passa.
Carlos Pereira